Reynaldo Turollo Jr.
O governo de Alagoas decidiu liberar no domingo (24) os corpos que lotam o IML (Instituo Médico Legal) do Estado sem passar pela necropsia. A medida foi tomada após familiares dos mortos depredarem a sede do IML em Maceió, no sábado (23), devido à paralisação dos médicos-legistas que começou na quinta-feira (21).
Com isso, os mortos terão de ser exumados quando o movimento grevista acabar, informou a assessoria da Perícia Oficial do Estado. No sábado, irritados com a demora para a liberação dos corpos de vítimas de acidentes ou de crimes, devido à greve dos médicos, parentes quebraram mobílias, computadores, TV e bebedouro do IML na capital alagoana.
Nesta segunda de manhã, os 29 corpos que se acumularam entre quinta e domingo ainda estavam sendo liberados. Enquanto isso, outros oito mortos chegavam ao local. Os 30 médicos-legistas de Alagoas, que se dividem em dois IMLs - em Maceió e em Arapiraca -, estão em greve por melhores condições de trabalho e reajuste salarial.
Segundo a categoria, o IML de Maceió não tem infraestrutura para a realização das necropsias e apresenta problemas sanitários. Os legistas pedem ainda equiparação de seus salários - em torno de R$ 3.400, segundo os grevistas - com a média do piso nacional (aproximadamente R$ 7.000). O governo informou que vai se reunir com os grevistas nesta segunda à tarde.
Segundo a Perícia Oficial, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Sebastião Costa Filho, declarou a greve dos médicos-legistas ilegal no sábado, com multa diária de R$ 10 mil caso eles não voltem ao trabalho. O órgão disse ainda que, atendendo ao pedidos dos médicos, vai transferir os exames de necropsia do IML para o necrotério do Hospital Sanatório, na capital, até que o atual prédio seja reformado ou que um novo seja construído - o que já está em fase de análise do projeto.
Plano nacional
Os peritos criminais, peritos odonto legais, auxiliares de necropsia e papiloscopistas de Alagoas decidiram em assembleia que também vão entrar em greve nesta terça (26). As reivindicações são as mesmas dos médicos-legistas. Exames de corpo de delito e de conjunção carnal - para confirmação de estupro - continuarão sendo feitos, e também serão transferidos para o Hospital Sanatório, afirmou a Perícia Oficial.
As paralisações dos peritos ocorrem pouco depois de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciar para Alagoas um plano de segurança que receberá R$ 25 milhões do governo federal e R$ 18 milhões do governo estadual para reforçar, sobretudo, as perícias no Estado.
O lançamento do plano, adiantado pela Folha na última quarta (20), ocorrerá oficialmente em Maceió nesta quarta (27), com a presença do ministro da Justiça.
Segundo a Perícia Legal, Cardozo visitará as instalações temporárias do IML, no Hospital Sanatório. Texto publicado originalmente em 25 de junho de 2012, no jornal Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano.
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