terça-feira, 11 de junho de 2013

Homens armados invadem delegacia e resgatam presos em Ubaitaba

Dois homens armados invadiram a delegacia de Ubaitaba (a 378 km de Salvador) e resgataram quatro detentos na manhã desta terça-feira (11). 

Por volta das 10h, eles renderam o carcereiro e libertaram Alexandro de Jesus da Silva, conhecido como Cobrinha, preso por tráfico de drogas; Diego Silva Menezes, preso por furto; Edson Rocha de Souza, fugitivo de Minas Gerais e Uilam Chagas dos Santos, preso por tráfico de drogas

Em seguida, fugiram em um Volkswagen Gol prata que estava estacionado na porta da delegacia, com um terceiro compar-sa. Cerca de dez minutos após a fuga, Uilam foi deixado na estrada por falta de espaço no carro e recapturado por policiais militares. A delegacia abrigava 15 presos em quatro celas, mas tem capacidade para oito.

Estudante da Ufba morre baleada em ponto de ônibus no Vale do Canela

A estudante de arquivologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Ana Carla Baldini Soares, de 45 anos, aguardava um ônibus para ir ao trabalho na manhã desta terça-feira (11), quando foi baleada em frente à Faculdade de Medicina da Ufba, no Vale do Canela, em SalvadorO crime aconteceu às 6h30, na avenida Reitor Miguel Calmon. 

O crime

Imagens de uma câmera de segurança mostram que um homem desce de um Volkswagen Gol prata, atira na estudante e foge. "Eu vi as imagens, um carro passou por ela, deu ré e desceu um homem com uma arma apontada para o chão. Ela fala algo e ele aponta para a cara dela e atira", contou o primo da vítima, Marcos Leal, ao Correio da Bahia. 

Ela foi atingida na cabeça e chegou ser socorrida por policiais militares, mas morreu a caminho do HGE (Hospital Geral do Estado). Ana Carla trabalhava na Seagri (Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária) e morava com os pais no bairro do Canela. 

A Polícia Civil tem duas hipóteses para o crime: latrocínio (roubo seguido de morte) ou vingança. O caso será investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).

O biquíni de Betty Faria e o efeito manada

Malu Fontes

São inegáveis os usos, os benefícios e a amplitude de infor-mações proporcionados pela internet. Mas como nada na vida é totalmente bom ou totalmente ruim, há uma onda de ódio cada vez mais manifestada pelos usuários de computadores conectados, independentemente de classe social, idade ou sexo, capaz de arregalar os olhos de quem se dá o trabalho de observá-la. 

Em todos os lugares do mundo sempre haverá pessoas dizendo e pregando coisas impensáveis sobre o próprio semelhante, mas, trazendo o fenômeno para a internet, nunca se viu tanta gente confundindo liberdade de expressão com apologia ao ódio e ao preconceito.

Mobilizados em grande parte pela violência urbana que cresce em proporções indescritíveis no Brasil, uma parcela nada desprezível de leitores de notícias on line ou com perfil em redes sociais parece sentir-se à vontade para reivindicar ou defender teses que deixariam os nazistas do passado constrangidos. 

E embora a violência noticiada seja, sim, um elemento motivador para que se escreva todo o tipo de apologia ao ódio, é bom lembrar que ela não é nem de longe o elemento mais fomentador dessas manifestações agressivas. O mesmo se dá diante de notícias relacionadas a aborto, sexo, homossexualidade, minorias sociais e velhice, entre outros temas. E mesmo que diante de denúncias de sofrimento de pessoas nesses contextos.

Esta semana, por exemplo, bastou a atriz Betty Faria aparecer na imprensa de biquíni, na praia, questionando por que não pode usá-lo aos 72 anos, que comentários em todos os veículos que publicaram a notícia explodiram em agressões contra a atriz, reduzida, no mínimo, a uma velha ridícula. 

Ora, e por que mesmo ela não pode usar biquíni, se homens com a mesma idade e até muito menos não são objeto de nenhum xingamento se saem por aí se banhando em público com suas barrigas, banhas e pelancas descomunais? Há uma semana, um índio foi morto e outro gravemente ferido em um conflito com a Polícia Federal numa desocupação de terras no Mato Grosso do Sul. 

Os comentários dos leitores eram de uma apologia ao ódio contra índios que custa a crer que pessoas em pleno gozo da saúde psíquica sejam capazes de fazê-los. Quanto ao que sobreviveu, era chamado de carnissa (sic) e não são poucos os que desejam que o rapaz fique “pelo menos paraplégico”, graças ao tiro que levou. 

O argumento para tamanho ódio era o de que índios são uma escória social, uma espécie de seborreia do país sustentada por pessoas de bem, essas que postam tais barbaridades na web. 

Esse comportamento tem nome: efeito manada, em que pessoas se valem da companhia de pares que sozinhos são covardes para em grupo ofender sem pudor. Mayara Petruso, a mocinha paulista que pregava a morte de nordestinos afogados nas enchentes de São Paulo porque elegeram Dilma Rousseff, é fichinha depois de tudo o que veio depois. 

Até mesmo um promotor de Justiça juntou-se à e-manada esta semana e, sobre os manifestantes na Avenida Paulista contra o reajuste da tarifa de ônibus afirmou numa rede social que se a Tropa de Choque os matasse, ele, promotor, arquivaria o inquéritoEm Salvador, uma manifestação de estudantes na Paralela levou a comentários do mesmo naipe: vagabundos, desordeiros, vândalos e que tais. Num artigo escrito há um ano, o jornalista Luciano Trigo deu o diagnóstico desse tipo de comportamento: as redes sociais estão se tornando veículo para perigosos rituais de justiça sumária e linchamento virtual por parte de uma e-massa exercendo um e-poder. Sem pudor algum. 

Texto publicado originalmente em 11 de junho de 2013, no jornal Correio da Bahia, pág. 02.

Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora de Jornalismo da Ufba