sexta-feira, 26 de abril de 2013

Megaoperação das polícias Civil e Militar prende 12 traficantes em Salvador

Uma operação realizada pelas polícias Civil e Militar da Bahia na manhã desta sexta-feira (26) em Salvador, envolveu cer-ca de 200 policiais e prendeu 11 homens, uma mulher e quatro adolescentes de 17 anos, acusados de pertencer a facções criminosas no Nordeste de Amaralina, e responsáveis por assaltos e ao menos dez homicídios na cidade.

A Operação Veredas, uma ação conjunta do DHPP (Depar-tamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), DHM (Delegacia de Homicídios Múltiplos), 40ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar-Nordeste de Amaralina) e Operação Gêmeos, da PM, cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão na Chapada do Rio Vermelho, Vale das Pedrinhas, Santa Cruz e Nordeste de Amaralina.

A investigação começou em fevereiro, a partir de denúncias das próprias comunidades, feitas nos números 0xx-71-3235-0000 e 181 (de outras localidades), que funcionam 24 horas por dia, e no site da SSP (Secretaria de Segurança Pública da Bahia). delegado Jorge Figueiredo, diretor do DHPP, disse que "o Disque-Denúncia é uma ferramenta de grande importância para o êxito da operação"

Os acusados faziam parte de quadrilhas que disputavam pontos de drogas e brigavam para comandar o tráfico na região do Nordeste de Amaralina. Foram apreendidos cinco revólveres calibre 38, um revólver calibre 32, uma pistola 380, uma pistola 45, munição calibre 38, 44 e 45, além de cocaína, maconha e crack, que foram encaminhadas para a perícia determinar as quantidades e o teor das drogas. 

Além dos adolescentes, foram presos em flagrante Anísio Lima, Carlos André Ferreira, Cristóvão de Souza, Francisco Manoel dos Santos, Fredson Firmes dos Santos, Igor Vinícios dos Santos, Leonardo dos Santos Félix, Natali Reis, Osmar Fernandes Reis, Sidnei Carlos dos Santos e Vitor Manoel da Silva Viana. A polícia ainda prendeu Anderson Limeira Santos, em cumprimento a um mandado judicial. Eles foram indiciados por formação de quadrilha, associação ao tráfico, homicídios, roubo e porte ilegal de armas.

Socorrista do Samu acusado de tráfico usava ambulância para entregar drogas em SP

A Polícia Civil de Sorocaba (a 95 km de São Paulo) prendeu um socorrista do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) de Votorantim (a 108 km de São Paulo) e outras dez pessoas durante a Operação Malibuem, realizada ontem (25) em São Paulo e no Mato Grosso do Sul. Eles são acu-sados de tráfico interestadual de drogas e armas. Outros seis acusados estão foragidos.  
O socorrista Júlio Marcos Popst usava uma ambulância do Samu para distribuir as drogas. Os nomes dos outros acu-sados não foram divulgados. Entre os presos, está um menor de 17 anos. A operação, que contou com 60 policiais, cumpriu mandados de prisão e de busca e apreen-são em Sorocaba, Votorantim, Limeira (SP), Dourados e Ponta Porã (MS)Por semana, o tráfico movimentava mais de 50 quilos de cocaína e era comandado por Júlio Marcos, segundo a polícia. 
A droga vinha do Paraguai, passava por Dourados e Ponta Porã, até chegar em São Paulo. Além das drogas, a polícia apreendeu dois carros e armas usadas pela quadrilha. Por meio da assessoria, o Samu afirmou que desconhecia os crimes do socorrista e se colocou à disposição da polícia para ajudar no que for necessário.

Lei que proíbe a venda de animais em pet shops gera polêmica

Luan Santos

A aprovação do projeto de lei que proíbe a venda de animais em pet shops gerou polêmica entre parlamentares e pro-prietários de estabelecimentos em Salvador. O autor do pro-jeto, o vereador Marcell Moraes (PV), acredita que "esta lei vai coibir abusos e maus-tratos, pois em diversos estabele-cimentos os animais ficam em gaiolas ou locais pequenos e abafados, algumas vezes expostos ao sol e ao sereno".

Foto de Eduardo Martins - Ag. A Tarde
O texto vai para a sanção do prefeito ACM Neto (DEM). Se entrar em vigor, animais domésticos só poderão ser vendidos em lojas de animais, como canis e gatis. "O termo proibição soa com certa tirania. Sou a favor de regulamentação e fiscalização das condições em que o animal é cuidado no pet shop, mas sou contra a proibição", disse a veterinária Gabriela Azevedo, proprietária do Planeta Animal.
Para a gerente da Dog Pet, em Itapuã, Edileuza Cerqueira, o projeto tem que ser revisto: "A comercialização dos animais não faz com que eles sejam tratados como mercadoria". "Esses vereadores deveriam estar mais preocupados com a saúde dos animais, em tirá-los da rua", disse a empresária Aura Oliveira, que comprou uma cadela em um pet shop. Texto publicado originalmente em 26 de abril de 2013, no jornal A Tarde.

Marcelo Guimarães Filho é denunciado por formação de quadrilha, estelionato e lavagem de dinheiro

Miro Palma

Se dentro de campo o momento do Bahia não é dos melho-res, fora dele a situação deve esquentar nos próximos dias. Ontem (25) à tarde, dois advogados baianos que moram em Brasília, Antonio Rodrigo Machado e Marcus Tonnae Silva, protocolaram na sede da Procuradoria Geral da República uma denúncia contra o presidente Marcelo Guimarães Filho, tam-bém deputado federal. 

Endereçada ao procurador Roberto Gurgel, a notícia-crime aponta crimes de formação de quadrilha, estelionato e lava-gem de dinheiro. Além do presidente, são denunciados o gestor de futebol Paulo Angioni, o coordenador das divisões de base Newton Mota e o sócio-proprietário da empresa Calcio Investments in Sports, André Garcia. De acordo com o documento, a Calcio estaria sendo beneficiada com a venda de atletas formados no Bahia. 

"A soma das informações que temos nos dá indícios de um esquema para obter lucro em benefício do patrimônio pri-vado", afirma Antonio Rodrigo. Em um dos trechos da denún-cia, a Calcio seria envolvida na venda de promessas da cate-goria de base: "As transferências dos meio-campistas Gabriel e Filipe valeram à Calcio mais de R$ 850 mil. A empresa foi fundada em 15 de abril de 2011 com um investimento inicial declarado de R$ 10 mil".

As denúncias não têm um prazo para serem ou não inves-tigadas. "Já participei de outros casos como esse. Às vezes a resposta chega de forma imediata, em duas semanas. Mas pode demorar dois ou três meses. Fiz a minha parte como cidadão e torcedor", diz Rodrigo. "A gestão do Bahia é anti-democrática, nebulosa e sem transparência. Queremos um futebol muito mais limpo e profissional", comenta. 

Segundo a assessoria de imprensa, Marcelo Guimarães Filho preferiu não se pronunciar sobre a denúncia, mas disse en-tender que a acusação é um direito de qualquer cidadão. Ainda segundo a assessoria, o dirigente do Bahia está tran-quilo em relação às denúncias. Texto publicado originalmente em 26 de abril de 2013, no jornal Correio da Bahia, caderno Esportes.

Quando Estado e Medicina tratam o crime como doença

Daniel Martins de Barros

Em tempos de discussão sobre delinquência juvenil, vem bem a calhar a reestreia do clássico Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. Em versão digitalmente restaurada, o filme mostra em cores mais vívidas do que nunca o futuro distópico de ul-traviolência imaginado por Anthony Burgess em seu livro ho-mônimo. A história mostra o protagonista, Alex, narrando sua história, começando pelos atos bárbaros que cometia com sua gangue sem outro propósito que não a violência em si.
Ele acaba preso e condenado à prisão por 14 anos. É uma época de grandes avanços, no entanto, e surge a promessa de um tratamento revolucionário, que superará em definitivo as "teorias penológicas datas", como diz o ministro do Interior, defensor de que os presos sejam tratados "de uma forma puramente curativa". Em 15 dias, Alex está solto, após passar por sessões de condicionamento aversivo tão intenso que desenvolve náuseas insuportáveis diante de atos violentos.
Aos protestos do capelão do presídio, que brada contra a perda do livre-arbítrio do rapaz, o ministro responde que aquele era "o verdadeiro cristão", incapaz de reagir a não ser oferecendo a outra face. Tais críticas se avolumam após Alex tentar se matar, fazendo com que o governo suspenda o tratamento e o jovem recupere seu livre-arbítrio, ficando aberta a possibilidade de ele voltar a escolher a violência.
No livro, isso de fato ocorre no início do último capítulo, mas o protagonista termina percebendo que precisa crescer, direcionando o fim da história para sua recuperação. Como a versão americana do livro, que Kubrick usou como roteiro, não trazia tal capítulo, ele só tomou conhecimento desse final tardiamente, optando por não utilizá-lo e deixando a obra sem uma conclusão explícita.
Conhecido por rechear suas obras com uma multiplicidade de sinais e autorreferências, Kubrick resistia a falar sobre o significado dos filmes que dirigia, preferindo deixá-los abertos às diversas interpretações. Já sobre seu primeiro filme, Medo e Desejo, ele disse que "provavelmente significará muitas coisas diferentes para as diferentes pessoas, e é o que deve ser". Tendo se mantido fiel a tal princípio estético ao longo de toda a carreira, manteve a coerência em Laranja Mecânica, não indicando qual seria o caminho trilhado pelo protagonista após recobrar sua capacidade de escolha.
Mas independentemente da direção que Alex seguirá - e de todos os jovens infratores que ele representa - o filme (e o livro) estão aí para não nos deixar esquecer que quando o crime é tratado como doença, Estado e Medicina entram numa relação casuística fadada a estabelecer medidas inicialmente exageradas, e finalmente fracassadas. Texto publicado originalmente em 26 de abril de 2013, no jornal O Estado de São Paulo.

Daniel Martins de Barros é coordenador médico do Núcleo de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Obra completa de Paulo Freire é disponibilizada para download gratuito

Adir Tavares 

A obra completa do educador Paulo Freire está disponí-vel para download gratuito no site oficial do Centro de Referência Paulo Freire, dedicado a preservar e divulgar a memória e o legado do educador. No site, estão disponíveis vídeos de suas aulas, palestras, entrevistas, livros e artigos. 

Internacionalmente respeitado, Freire recebeu pelo menos 40 títulos honoris causa (concedidos por universidades a pe-ssoas notáveis). Seus livros foram traduzidos em mais de 20 línguas. No Brasil, tornou-se um clássico, obrigatório para estudantes de pedagogia e pesquisadores em educação. 

"Defendo a educação desocultadora de verdades. Educando e educadores funcionando como sujeitos para desvendar o mundo", dizia Freire. A educação como prática da liberdade, defendida por ele, enxerga o educando como sujeito da his-tória, tendo o diálogo e a troca como traço essencial no desenvolvimento da consciência crítica. Texto publicado originalmente em 25 de abril de 2013, no portal Luis Nassif.

Rumo ao século 15


Ruy Castro

O "Rei" continua odiando seus súditos. A nova violência de Roberto Carlos contra a liberdade de expressão tem como alvo o livro "Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude", de Maíra Zimmermann, pela Estação das Letras e Cores. Seus advogados entraram com uma notificação - por enquanto, extrajudicial - exigindo a interrupção da venda da obra. Oba! Vou correndo às livrarias para garantir meu exemplar, antes que a lei o proíba e mande recolhê-lo. 
Segundo li, o livro nasceu como uma tese de mestrado. Deve ter sido escrito em pós-estruturalês profundo, com fartas citações de Foucault, Derrida e Deleuze, e, como tal, de interesse restrito aos círculos acadêmicos. Não há grande possibilidade de que, como alegam os advogados, o texto contenha revelações sobre a "trajetória de vida e intimidade" de Roberto Carlos - a não ser que, um dia, o cantor de "O Calhambeque" tenha se envolvido semiótica e gnoseologicamente com a filósofa búlgara Julia Kristeva. 
Roberto Carlos não gosta de livros a seu respeito. Está sempre processando escritores e jornalistas e, ao fazer isto, joga seu peso sobre a lei e ganha todas. A imprensa parece não se importar. Mas, se Roberto Carlos detesta se ver entre capas de livros, também não deveria gostar de se ver nos jornais -para os quais, aliás, não dá entrevistas. Far-lhe-íamos um favor se passássemos a ignorá-lo. 
E, como eu temia, a recente euforia pela livre produção de biografias não autorizadas era prematura. Um deputado evangélico de Roraima conseguiu com que o projeto do deputado Alessandro Molon (PT-RJ), aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, tenha de ir primeiro ao plenário - e não direto ao Senado, como se esperava. Começa tudo de novo e, naquele, as perspectivas não são boas. Ninguém segura o Brasil em sua disparada rumo ao século 15. Texto publicado originalmente em 26 de abril de 2013, no jornal Folha de São Paulo.