sábado, 23 de junho de 2012
A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia negou pedido de liminar a favor de 23 guardas civis do município de São Vicente (SP), que queriam autorização para usar armas de fogo em serviço. A ministra disse que "os requisitos não foram satisfeitos".
Ela se reportou ao artigo 6º do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003), que condiciona a autorização para o porte de arma de fogo das guardas municipais à formação funcional de seus integrantes em estabelecimentos de ensino de atividade policial, à existência de mecanismos de fiscalização e de controle interno, nas condições estabelecidas pelo estatuto.
A ministra lembrou que em maio de 2007, o STF decidiu que o porte de armas de fogo é questão de segurança nacional. Ela entendeu também que, assim como a competência residual das unidades da Federação não se sobrepõe à predominância do interesse da União no estabelecimento de políticas de segurança pública, o interesse de guarda municipal não pode suprir a “ausência de convênio entre a municipalidade e a Polícia Federal”, nem a “falta de interesse do município” na celebração do convênio.
Os guardas civis de São Vicente são responsáveis pelo combate ao tráfico ilícito de entorpecentes e pela repressão a furtos e roubos no calçadão da praia da cidade, além de zelar pelo patrimônio municipal. Eles alegam que defendem o uso de armas por causa da falta de interesse da prefeitura em firmar convênio com a Política Federal. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.
13 praias de Salvador estão impróprias para banho
Um boletim divulgado hoje pelo Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia) indica que treze praias de Salvador estão impróprias para banhos. O Inema aponta problema nas praias Armação, Boa Viagem, Boca do Rio, Buraquinho, Corsário, Farol da Barra e Ondina. Os banhistas devem evitar também as praias Pedra Furada, Penha, Periperi, Pituba, Roma e São Tomé de Paripe.
Quem toma banho de mar em praias impróprias pode sofrer alergias, micoses e doenças do aparelho digestivo, informa o Inema. As informações podem ser checadas no site do instituto: www.inema.ba.gov.br
Caminhoneiro morre atropelado na rodovia BR-116, em Feira de Santana (BA)
Um caminhoneiro ainda não identificado morreu na noite deste sábado (23), após ser atropelado por uma Toyota Hilux no km 437 da BR-116, em Feira de Santana (a 107 km de Salvador). De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente aconteceu por volta das 19h.
Ainda segundo a PRF, o homem havia descido do caminhão e foi atingido pela Hilux, próximo à Pousada da Feira. Ele morreu no local. O motorista da Hilux fugiu. O corpo do caminhoneiro foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) de Feira de Santana.
Mulher é indenizada após achar camisinha em extrato de tomate no RS
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) deu ganho de causa a uma consumidora que encontrou uma camisinha dentro de uma lata de extrato de tomate, no interior do Rio Grande do Sul. A Unilever terá de indenizá-la em R$ 10 mil. Segundo relatos da consumidora, o fato foi percebido apenas após o consumo do alimento pela família.
Ela havia preparado uma macarronada para família e ao guardar o restante do molho, encontrou um preservativo masculino, aberto, no fundo da lata. Diante da situação ela levou o produto para análise da universidade local, e buscou reparação na empresa. Como não houve acordo, ela decidiu acionar a Justiça.
Apesar do incidente ter ocorrido em 2002, a empresa recorreu da decisão em todas as instâncias em que pode durante o processo. A decisão do STJ, no entanto, foi publicada apenas na última semana. A companhia buscou provar no STJ que não era culpada pelo incidente, uma vez que todo processo de produção do extrato de tomate é automatizado e não passa por manuseio humano.
Para a Justiça, a contaminação "com inserção do objeto estranho encontrado" pode ter ocorrido tanto na mistura dos ingredientes, como por ato de sabotagem.
"De qualquer sorte, a responsabilidade é do fabricante, por violação do princípio da segurança sanitária, já que substâncias encontradas são consideradas prejudiciais à saúde humana. Caso em que a contaminação se deu com grau de sujidade máximo", expõe o texto da relatora, ministra Nancy Andrighi.
A Unilever também tentou questionar o valor inicial da indenização definido pela Justiça do Rio Grande do Sul, mas a juíza do STJ manteve a indenização em R$ 10 mil.
Texto publicado originalmente em 23 de junho de 2012, no jornal Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano.
Policial militar é morto a tiros em São Paulo
Mais um policial militar foi morto a tiros na manhã deste sábado (23) em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Segundo a Polícia Militar, o cabo Joaquim Cabral de Carvalho estava fora do horário de serviço e com roupas civis quando foi abordado por criminosos. Ainda de acordo com a polícia, o crime aconteceu na rua Godofredo Osório Novaes, por volta das 6h10.
Carvalho trabalhava na corporação há 28 anos. Ele era casado e tinha quatro filhos, informou a PM. Nenhum suspeito foi preso. Também na madrugada deste sábado, criminosos incendiaram um carro e tentaram jogá-lo em uma base móvel da PM na rua José Bonifácio, no bairro Serraria, em Diadema (Grande SP). O veículo, porém, desviou da rota atingindo outro carro estacionado.
Com a morte do cabo Joaquim Cabral, subiu para seis o número de policiais mortos fora do horário do trabalho, desde o dia 13. Existe a suspeita de que as mortes tenham sido retaliação da facção criminosa PCC contra a operação da Rota (tropa de elite da PM) que matou seis homens no fim de maio, na zona leste de São Paulo. Há, ainda, a suspeita de que a transferência, na semana passada, de um dos chefes do PCC para o presídio de Presidente Bernardes - onde o preso fica 23 horas por dia isolado - também tenha contribuído para os ataques.
Alerta
Polícia Militar de São Paulo entrou em estado de alerta ontem devido aos ataques a bases da corporação e às mortes de PMs registrados nos últimos dias. Policiais do setor administrativo irão reforçar o policiamento nas ruas hoje e amanhã. As folgas de todos os integrantes da tropa foram suspensas.
O comandante-geral Roberval Ferreira França enviou uma carta ontem a todos os PMs determinando "conduta de segurança especial", "que ocorrências policiais sejam atendidas por dois carros" e também "cautela redobrada com a aproximação de carros, motos e pessoas".
Na noite de quinta, o soldado Paulo César Lopes Carvalho foi baleado na cabeça dentro de um mercado no Capão Redondo (zona sul); na madrugada de ontem, o soldado Osmar Santos Ferreira foi atacado quando ia de moto para o trabalho. As outras mortes suspeitas de retaliação ocorreram em 13 de junho, quando Valdir Inocêncio dos Santos, de 39 anos, foi morto com 20 tiros na porta de sua casa em Guaianases (zona leste); 17 de junho, quando também na porta de casa, foi morto Domingos Antônio Aparecido Siqueira, de 43 anos; e no dia 20, quando Vaner Dias, de 44 anos, foi morto dentro de uma academia, onde dava aulas.
Investigações da Corregedoria da PM e do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Polícia Civil, apuram se as cinco mortes têm ligação.
Texto publicado originalmente em 23 de junho de 2012, no jornal Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano.
Dois corpos carbonizados são encontrados pela polícia em Stella Maris
Dois corpos carbonizados e irreconhecíveis foram encontrados por policiais militares nas proximidades do motel Sky, na praia de Stella Maris, na manhã deste sábado (23), em Salvador.
As vítimas haviam sido feridas com armas de fogo, segundo informações da 15ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Itapuã). Policiais suspeitam que os assassinatos estão provavelmente ligados à dívida com o tráfico de drogas, já que o local é muito utilizado pelos traficantes para acerto de contas.
Investigação é atividade de polícia
Luiz Flávio Gomes
O atual clima de insegurança pública e de medo vem gerando uma forte demanda popular e midiática por mais rigor penal, maior efetividade do Estado nessa área e pelo fim da generalizada impunidade, sobretudo da corrupção e das mais graves e sistemáticas violações dos direitos humanos.
É nesse quadro de intranquilidade nacional e de protestos reiterados, que vem se agravando assustadoramente desde 1980 (quando contávamos com 11,7 mortes para cada 100 mil habitantes, contra 27,3 em 2010), que o Ministério Público, duramente cobrado pelas reivindicações punitivistas, passou a investigar alguns delitos por sua conta e risco, especialmente os relacionados com o crime organizado e os cometidos por policiais.
Por mais que a jurisprudência, nomeadamente do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, continue ratificando as suas investigações autônomas ou paralelas, a verdade é que ainda não existe lei inequívoca que lhe dê, com nitidez, esse poder. Daí as contínuas controvérsias e alegações de nulidade, que andam forjando grande insegurança jurídica sobre o tema.
A maior prova da nebulosidade nesse campo reside no seguinte: por falta de expressa disposição legal, que é exigência básica do Estado de Direito, primordialmente quando em jogo estão direitos fundamentais dos investigados, todo procedimento dessa natureza do Ministério Público está regulamentado por resoluções ou atos normativos dos procuradores-gerais.
Esses atos, no entanto, não possuem o status de lei. Diante desse déficit de legalidade, as investigações não são uniformes, e os procedimentos adotados não são idênticos.
O mais grave: não existe controle judicial periódico delas. Aliás, há juízes que não as reconhecem e, assim, se recusam a arquivar tais procedimentos, quando nada é apurado contra o suspeito. Nem é preciso enfatizar o limbo em que se encontra essa situação, e tudo por falta de regulamentação legal.
Seja por falta de segurança jurídica, que deveria ser enfrentada pelo legislador urgentemente, seja por ausência de estrutura material, seja, enfim, pela falta de treinamento específico - especialização - para o adequado desempenho da atividade investigativa, não há como o Ministério Público assumir, neste momento, de forma independente, a premente tarefa de apurar os crimes e sua autoria. Por maior boa intenção que exista, ninguém pode dar passos maiores que as pernas.
No estágio em que nos encontramos, de aguda insegurança coletiva e de medo difuso, todo esforço investigativo do Ministério Público, supletivo ou complementar, sobretudo quando se trata do crime organizado, dos crimes do colarinho branco e dos praticados pela própria polícia, será muito bem-vindo, mas sempre em conjunto com os órgãos autorizados, para isso, por força de lei expressa e inequívoca.
Nosso Estado Democrático de Direito muito ganharia se todas as instituições de segurança pública deixassem de se digladiar e somassem seus parcos recursos e ingentes esforços no sentido de proporcionar à nação brasileira uma Justiça mais equilibrada, mais justa e menos sujeita a improvisações, discriminações e incertezas.
Luiz Flávio Gomes, 54 anos, é doutor em direito penal, fundou a rede de ensino LFG. Foi promotor de justiça (de 1980 a 1983), juiz (1983 a 1998) e advogado (1999 a 2001). Texto publicado originalmente em 23 de junho de 2012, no jornal Folha de São Paulo, Caderno Opinião.
Homem é morto a facadas no Garcia
Fábio dos Santos Reis, de 25 anos, foi morto a facadas por volta das 5h30 deste sábado (23) na rua Prediliano Pitta, em frente ao Colégio Edgar Santos, no bairro do Garcia, em Salvador. De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública) da Bahia, o jovem foi esfaqueado no abdômen.
Ainda segundo a SSP, a faca usada no crime não foi encontrada. O rapaz foi socorrido no HGE (Hospital Geral do Estado), mas não resistiu aos ferimentos. O corpo de Fábio foi encaminhado para o DPT (Departamento de Polícia Técnica).
A polícia ainda não tem pistas dos suspeitos. O caso será investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).
Segurança para a Copa vai custar R$ 1,17 bilhão à União
O governo federal pretende gastar, só de seu orçamento, R$ 1,17 bilhão na estratégia de segurança para grandes eventos que o país receberá a partir do ano que vem. A informação foi dada pelo secretário de Segurança para Grandes Eventos, Valdinho Jacinto Caetano, ontem, durante evento da Folha em parceria com a Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas.
O dinheiro será gasto em treinamento e equipamentos. O orçamento da Copa 2014 está em torno de R$ 23 bilhões. "Os Estados podem também colocar o dinheiro que entenderem, no setor que acharem que ficou faltando", afirmou Caetano.
Ele disse ainda que clássicos de futebol passarão a ser locais de treinamento de estratégias das forças policiais. O debate contou também com a presença de Guaracy Mingardi, doutor em ciência política pela USP e pesquisador da FGV, e foi mediado por Vaguinaldo Marinheiro, repórter especial da Folha.
Um dos pontos mais controversos do debate foi a discussão sobre a segurança privada na Copa. A expectativa é a contratação de 60 mil homens. "A decisão foi acertada com a Fifa. Os seguranças serão treinados e uma equipe policial estará no estádio caso seja preciso intervenção."
Para Mingardi, mais do que a segurança, o importante é discutir o legado que ficará. "A experiência dos Jogos Pan-americanos, no Rio, em 2007, foi um desastre. Sumiram carros de policia, câmeras. É preciso pensar no que vai sobrar de positivo para a sociedade", disse.
Texto publicado originalmente em 23 de junho de 2012, no jornal Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano.